terça-feira, 28 de junho de 2016

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Balanço Geral/ Cidade Alerta = Teletubies

por Leandro Villela de Azevedo

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Até bem poucos instantes atrás eu não consegui compreender como meu menino de 6 anos era tão apaixonado por esses programas de jornais sensacionalistas. Agora pouco ao convidá-lo para brincar, jogar videogame, ver desenhos animados, ou quaisquer outros de seus passatempos preferidos, o vi recusar pois queria assistir o "jornal". Ele passar pelo menos duas horas por dias vendo esses personagens estranhos darem as ditas notícias de mortes e acidentes de trânsito (para meu desespero) um vício herdado da mãe dele, ele assiste esses programas desde antes de eu o conhecer (ele passou a ser meu "filho emprestado aos 4 anos para quem não conhece a história)

Isso me intriga. O que faz uma criança de 4 a 6 anos ficar tão fascinada por esse tipo de programa? O pior é que conversando com alguns amigos, percebi que esse fenômeno também é percebido em outras crianças cujos pais gostam de tais programas e assistem com os filhos.

E foi somente vencendo todos os meus instintos que me afastam de tal programação é que eu compreendi. As ditas notícias (sinto muito, sensacionalismo barato não é notícia) são tão sem contexto, tão simplistas, tão rasas, em uma linguagem tão "facilitada" que passam a ser de fácil compreensão para uma criança desta idade de pré-alfabetização. Ele compreende com facilidade o que é um carro bater em um caminhão e morrerem 7. Ele entende o que é a mulher matar o marido a facadas. E mesmo que hajam alguns termos novos (como decapitar) o apresentador explica a um nível tão infantil e repetidas vezes que passa a ser impossível não compreender.

Para piorar, não se trata simplesmente de falar o óbvio, sem contexto, com jargões infantis, como o programa de lota de situações que somente podem ser assemelhadas a outros programas infantis como Teletubies, pois Cocoricó já tem um nível mental mais elevado. Como o apresentador se vestir de avatar, um anão sendo ridicularizado, um galo de estimação, entre outras coisas. O simplismo de "bem e mal" é levado ao seu extremo, de forma mais exagerada do que contos de fadas da Disney (como qualquer criança sem autonomia moral consegue entender). Mas o que mais faz com que esses programas se assemelhem aos seu parente inglês para bebês é o "de novo". A mesma notícia é dada cinco a seis vezes, no mínimo, os mesmos detalhes são repetidos infinitas vezes, muitas vezes, a quem conseguir fazer neurônios sobreviverem à experiência de assistir tais programas, poderá perceber que em apenas um minuto o apresentador consegue repetir umas 7 vezes a mesma palavra. Se algum herói tentar sobreviver contando palavras verá que os jargões se repetem mais de 100 em um único programa.

Entretenimento de baixa qualidade para crianças (ao meu ver muito mais pernicioso que os jogos eletrônicos tão criticados pela mídia .... tenho certeza que há mais violência nesse programa do que no GTA - afinal em jogos eletrônicos ninguém ensina como a mulher faz para cortar os membros do marido ainda vivo) ... só me resta uma dúvida .... como que adultos, que repudiaram tanto o péssimo programa inglês, conseguem sobreviver a essa acidente da mídia? Ou então .... será que os que mandam no mundo conseguirão sobreviver quando a mentalidade média da população for de uma criança de 6 anos?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sim, eu quero mudar o mundo

Não me lembro ao certo que idade eu tinha quando, no cinema, fui ver Robocop, acho que Robocop 2 ou 3, não sei ao certo (sei que eu já era fã, portanto não era o primeiro). No começo do filme um garoto que tinha mais ou menos a minha idade na época, estava em uma sala mexendo em um tablet (sim, o filme futurista colocou na mão do menino algo que seria muito semelhante a um i-pad nos dias de hoje). Eu, que sempre gostava de coisas tecnológicas, fiquei fascinado por aquilo, pensando dentro de mim o como eu desejava viver naquele mundo (nunca contei essa história que aqui relato para ninguém, saibam disso)

Pois bem, fascinado com o aparato eletrônico o desenrolar do filme (que hoje em dia não mereceria nem seção da tarde) foi o garoto e sua família descobrirem que tinha recebido uma ordem de despejo, e milhares de pessoas são expulsas de sua casa por causa de um projeto imobiliário de uma mega corporação. No decorrer do filme o Robocop, que tinha a ordem de sempre obedecer as leis e os policiais, mas ao mesmo tempo tinha a primeira diretriz de sempre proteger os inocentes vive uma crise de identidade (sim, o robô que era metade defunto, conseguiu ter uma crise de indentidade) Entretanto aquilo mostrava para mim algo novo que eu sem dúvida não compreendia na época. A ideia de que o profundo desejo de mudar o mundo não se daria simplesmente com invenções tecnológicas que eu sempre admirava, mas com mudanças sociais. Um mundo ultra-tecnológico pode sim ser ulta desigual e cruel.

Talvez, de alguma forma, inspirado pelo fato de ter uma tia que abandonou sua vida no Brasil para ser enfermeira na África e quando voltou lutou na política do nordeste contra os grandes coronéis (até mesmo na época onde em Alagoas diversos prefeitos eleitos de partidos de esquerda foram assassinados antes da posse) talvez inspirado por outras séries tecnológicas, como star trek a nova geração, aquilo pouco a pouco foi se moldando dentro de mim sem que eu soubesse.

Enfim, quando fui escolher o rumo que eu queria seguir pra minha vida, mesmo tendo sido um dos melhores alunos de uma das melhores escolas particulares de São Paulo, mesmo tendo condições de passar em praticamente qualquer curso que eu escolhesse (talvez salvo medicina na USP) eu escolhi que queria fazer história e entender mais os motivadores da mente humana através de suas ações no decorrer do tempo.

A maior parte das pessoas que conheço hoje em dia vêm me falar com discursos do tipo "ah, naquela época em que eu era jovem e tolo eu queria mudar o mundo" ... e eu sempre me corroo por dentro, às vezes me calo e outras não, mas sei, sei com toda a certeza, que eu, ainda hoje, mesmo aos 32, quase 33 anos, eu quero sim mudar o mundo. Isso me deixa em crises terríveis de identidade, às vezes é muito difícil lutar contra aqueles que ganham com o mundo não ser mudado, contra os acomodados.

Na verdade, algumas coisas são tão gritantes que não tem justificativa. Por exemplo, praticamente todos os pecuaristas, extrativistas, empresas mineradoras ou petroquímicas sabem que suas atividades são insustentáveis a longo prazo. Seria o cúmulo da tolice ignorar as questões ecológicas mesmo que as motivações fossem somente financeiras. Pais que querem cercear os seus filhos de toda a possibilidade de mal e os ensinam que eles podem ter tudo na vida assim que quiserem no fundo sabem que isso é impossível e que essa noção trará muito sofrimento a eles quando na vida adulta perceberam que aquilo não é verdade.

A história demonstra claramente que quanto mais alienada é a classe dominante e quanto mais espreme as classes mais pobres, piores são são revoluções que ocorrem, existem exemplos da antiguidade aos dias de hoje (e muitos por sinal nos dias de hoje após a crise internacional) ainda assim, parece que simplesmente o melhor que há a se fazer é se calar.

Eu quero mudar o mundo. Eu creio que seja possível meio termos, eu creio que seja possível o diálogo, eu creio que seja possível o aprendizado mútuo, eu creio que seja possível a transformação. Eu creio que seja possível libertar-se da hipocrisia, eu creio que seja possível derrubar as ditaduras, mesmo que sejam gaiolas feitas de ouro (como dizia Gandhi) mas às vezes, em crise de identidade, também creio que eu sou apenas um louco por crer em tudo isso ....

e você?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Menino Bonito - Comeu tudo!

Agora pouco estava almoçando com minha esposa no Shopping quando ouvi o seguinte comentário: "Menino Bonito, comeu tudo!" Era um pai, falando para o seu filhinho de uns dois anos, elogiando que ele havia comido todo o prato de comida. E os elogios continuaram, dizendo que ele havia se portado diretinho naquele dia, tomado o nescau de café da manhã, a fruta das 10 horas, o almoço agora e o filho brincava com um caminhãozinho contente ouvindo (e entendendo) os elogios de seu pai.

Apesar de ser algo simples e cotidiano, aquilo me soou muito estranho. Acho que deveriam fazer uns bons anos, pelo menos uns 5, que eu não ouvia um pai elogiando um filho por ele ter comido sua comida. O que era algo tão comum décadas atrás, os pais fazendo de tudo para concentrar a atenção dos seus filhos na alimentação, e todas as brincadeiras advindas disso (caminhãozinho na garagem, aviãozinho pra pousar, entre outros)

Vivemos em uma sociedade em que, por muito pouco, comer não é considerado um crime. De um lado gigantescas propagandas contra a obesidade. É claro, elas tem razão, é questão de saúde. O colesterol e glicemia estão aí para nos lembrar das mazelas do comer indiscriminadamente. Mas não estou me referindo simplesmente a isso. É almo mais. Parece que a questão está tão exagerada que não se combate o comer errado, não se consegue vender a ideia de uma alimentação adequada, vende-se a ideia de que comer é errado.

Ouvi, outro dia, de uma jovem mãe, que ela não permitia que o seu bebê mamasse de mais porque não queria que ele engordasse!!! Acaso isso faz sentido dentro da chamada alimentação saudável? Que padrões realmente estão sendo pregados?

Veja, é mais comum ouvir falar de casos de anorexia e bulimia (pois nos últimos 5 anos ouvi vários destes) do que ver um pai incentivando o seu filho a comer.

Que padrões de beleza e saúde são esses? O stress e a neura causadas pelo medo de comer devem matar tanto quanto a má alimentação. Eu, certamente acima do peso, e mesmo querendo emagrecer um pouco, tenho os níveis de colesterol, glicemia, triglicérides e sei lá mais o que dá pra medir pelo sangue todos perfeitamente dentro dos normais. Ainda assim, uma olhada para o meu peso já fará com que todos me vejam como uma pessoa completamente nada saudável. Ao mesmo tempo, o cara que toma anabolizantes e morre de coração hiperinflado, esse tem a "aparência saudável". Aquela modelo que os homens olham na revista e as mulheres sonham em ser, essas nem existem!! São produto de computação gráfica unida a bisturis. Certa vez uma famosa modelo brasileira disse que não fazia regimes rigorosos, ao ponto de que uma vez por ano ela poderia até se dar ao luxo de comer um brigadeiro!!!

O mais estranho ... é que antigamente os amigos se reuniam para comer e beber ... o próprio nome COMEmorar vem de comida! O almoço de domingo com a família toda reunida ou os jantares onde pai e filho conversavam sobre o seu dia eram rituais quase sagrados. De certa forma a televisão já dominou esses espaços, mas agora a comida parece que vai sumir deles.

E aí entra a gordura trans, que até pouco tempo atrás ninguém sabia que existia e não matava, mas hoje precisa ser tão combatida ao ponto de se estragar (e encher de mais química pra compensar) o gosto de metade dos alimentos. Aí, esquece-se o colesterol, que era o antigo vilão. Mas pra demonstrar a grande habilidade da ciência médica, inventam diversas dietas contra os carbohidratos onde praticamente tudo o que se pode comer é o que tem muita gordura animal.

Claro, há aqueles que são os mais politicamente corretos, os vegetarianos. Sério, afinal ser vegetariano é levar uma vida completamente saudável, não? Bem, certamente uma boa porcentagem dos nutricionistas iriam discordar disso. Apesar disso, a lógica deles parece bem verdadeira, não querer matar nenhum ser vivo no assegurar-se de nossa sobrivivência, não é mesmo? ... mas será que a alfacinha não merecia viver? será que cada um dos legumes, verduras e frutas não eram seres vivos. Uma semente de girassol comida é um girassol inteiro em potencial com milhares de sementes que sairiam destes (e cada uma um novo girassol em potencial) ... não tem jeito. Ser um humano é matar pra viver! A não ser, é claro, que a mídia convença as pessoas de que pode-se viver apenas de química (coisa mais natural e saudável impossível do que alimentar-se apenas por comprimidos) ... ou ainda ... se é que vocês se lembram, há aqueles que juram que podem viver de luz ...

Pois é ... depois da lei da palmada, ainda vão inventar a lei do aviãozinho ... e aí do pai que elogiar seu filho por ter comido tudo .... Menino Feio!! Quem mandou comer a comida do fast food onde eu te levei!?