quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sim, eu quero mudar o mundo

Não me lembro ao certo que idade eu tinha quando, no cinema, fui ver Robocop, acho que Robocop 2 ou 3, não sei ao certo (sei que eu já era fã, portanto não era o primeiro). No começo do filme um garoto que tinha mais ou menos a minha idade na época, estava em uma sala mexendo em um tablet (sim, o filme futurista colocou na mão do menino algo que seria muito semelhante a um i-pad nos dias de hoje). Eu, que sempre gostava de coisas tecnológicas, fiquei fascinado por aquilo, pensando dentro de mim o como eu desejava viver naquele mundo (nunca contei essa história que aqui relato para ninguém, saibam disso)

Pois bem, fascinado com o aparato eletrônico o desenrolar do filme (que hoje em dia não mereceria nem seção da tarde) foi o garoto e sua família descobrirem que tinha recebido uma ordem de despejo, e milhares de pessoas são expulsas de sua casa por causa de um projeto imobiliário de uma mega corporação. No decorrer do filme o Robocop, que tinha a ordem de sempre obedecer as leis e os policiais, mas ao mesmo tempo tinha a primeira diretriz de sempre proteger os inocentes vive uma crise de identidade (sim, o robô que era metade defunto, conseguiu ter uma crise de indentidade) Entretanto aquilo mostrava para mim algo novo que eu sem dúvida não compreendia na época. A ideia de que o profundo desejo de mudar o mundo não se daria simplesmente com invenções tecnológicas que eu sempre admirava, mas com mudanças sociais. Um mundo ultra-tecnológico pode sim ser ulta desigual e cruel.

Talvez, de alguma forma, inspirado pelo fato de ter uma tia que abandonou sua vida no Brasil para ser enfermeira na África e quando voltou lutou na política do nordeste contra os grandes coronéis (até mesmo na época onde em Alagoas diversos prefeitos eleitos de partidos de esquerda foram assassinados antes da posse) talvez inspirado por outras séries tecnológicas, como star trek a nova geração, aquilo pouco a pouco foi se moldando dentro de mim sem que eu soubesse.

Enfim, quando fui escolher o rumo que eu queria seguir pra minha vida, mesmo tendo sido um dos melhores alunos de uma das melhores escolas particulares de São Paulo, mesmo tendo condições de passar em praticamente qualquer curso que eu escolhesse (talvez salvo medicina na USP) eu escolhi que queria fazer história e entender mais os motivadores da mente humana através de suas ações no decorrer do tempo.

A maior parte das pessoas que conheço hoje em dia vêm me falar com discursos do tipo "ah, naquela época em que eu era jovem e tolo eu queria mudar o mundo" ... e eu sempre me corroo por dentro, às vezes me calo e outras não, mas sei, sei com toda a certeza, que eu, ainda hoje, mesmo aos 32, quase 33 anos, eu quero sim mudar o mundo. Isso me deixa em crises terríveis de identidade, às vezes é muito difícil lutar contra aqueles que ganham com o mundo não ser mudado, contra os acomodados.

Na verdade, algumas coisas são tão gritantes que não tem justificativa. Por exemplo, praticamente todos os pecuaristas, extrativistas, empresas mineradoras ou petroquímicas sabem que suas atividades são insustentáveis a longo prazo. Seria o cúmulo da tolice ignorar as questões ecológicas mesmo que as motivações fossem somente financeiras. Pais que querem cercear os seus filhos de toda a possibilidade de mal e os ensinam que eles podem ter tudo na vida assim que quiserem no fundo sabem que isso é impossível e que essa noção trará muito sofrimento a eles quando na vida adulta perceberam que aquilo não é verdade.

A história demonstra claramente que quanto mais alienada é a classe dominante e quanto mais espreme as classes mais pobres, piores são são revoluções que ocorrem, existem exemplos da antiguidade aos dias de hoje (e muitos por sinal nos dias de hoje após a crise internacional) ainda assim, parece que simplesmente o melhor que há a se fazer é se calar.

Eu quero mudar o mundo. Eu creio que seja possível meio termos, eu creio que seja possível o diálogo, eu creio que seja possível o aprendizado mútuo, eu creio que seja possível a transformação. Eu creio que seja possível libertar-se da hipocrisia, eu creio que seja possível derrubar as ditaduras, mesmo que sejam gaiolas feitas de ouro (como dizia Gandhi) mas às vezes, em crise de identidade, também creio que eu sou apenas um louco por crer em tudo isso ....

e você?

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